terça-feira, 20 de janeiro de 2026

PROTOPENTECOSTE: AÇÕES DO PROTOCITACIONISMO TEOLÓGICO NA PNEUMATOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO

Os teólogos pentecostais têm aproximado seus escritos cada vez mais do mundo acadêmico. O prestígio do conhecimento científico produzido pela academia, por ser valorizado socialmente, vem despertando mentes humildes a romper os obstáculos do senso comum e da produção teológica, anteriormente direcionada, quase que exclusivamente, para o consumo da membresia leiga. 

Todavia, não intencionando desqualificar ou repulsar ninguém, vale salientar que o esnobismo teológico no fazer teologia, coadjuvado por uma inteligência vigorosa, mas perdida numa selva de citações de autores de correntes teológicas divergentes, pode até vislumbrar um "protopentecoste" no Antigo Testamento, mas jamais conseguirá dessa forma dar espírito e vida ao seu texto.

Data vênia, ver-se o teologismo como uma postura que confere posição de exímio pesquisador. Uma postura muito acima do dogmatismo dos crentes ignorantes, sem rigor epistemológico ou gosto pelo estudo acadêmico. Essa práxis teológica incha e cega. Desse modo, o teólogo torna-se incapaz de ver os absurdos do seu "citacionismo", levando essa metodologia às últimas consequências. E, vendo-a, continua a deleitar-se em citações que abarrotam seu texto autocomplacente. 

Em meio aos autores que lemos para aprofundar a fé, ano passado, acabamos de deparar-nos com a figura de ABS, doutor em teologia livre pela University American Christian, do Grupo Educacional FATEB, idealizador do livro "Protopentecoste: ações do Espírito Santo no Antigo Testamento". O seu livro parece ajustar-se à várias características apresentadas acima. Tudo isso tornou a obra pesarosa, exigindo até dos mestres e doutores a "paciência de Jó".

O estilo do autor é extremamente prolixo. Essa prolixidade levou muitas vezes o teólogo a cair em divagações desnecessárias. São tantas as divagações que, a objetividade do texto ficou prejudicada. Ideias já tratadas são diversas vezes repetidas. Para efetuar uma simples citação, ABS vai do Recife à China, da China à África do Sul, fazendo um dossiê do referenciado.

Uma dissertação ou tese dessa natureza, nas mãos do ilustríssimo Burity, doutor, pesquisador, historiador, cientista político, coordenador de programa de mestrado em Ciências Sociais da Religião, cristão praticante, escritor, palestrante nacional e internacional, poliglota, casado, professor universitário (estou imitando ABS), certamente o Dr. Burity prelecionaria: "ABS, vá direto ao ponto, seu texto está abarrotado de citações, queremos ouvir você, fale o que você tem a dizer sobre protopentecoste".

No livro de 477 páginas, escuta-se muito pouco o que o autor tem a dizer sobre "Protopentecoste". Isso se deve, não à sua incapacidade, mas, ao uso desmedido de uma "metralhadora teológica". São dezenas, centenas e milhares de citações metralhadas nas páginas do livro. Essa forma pseudo-strongniana de escrever teologia acarretou em uma colcha de retalho textual, sem o fogo do Espírito Santo, costurada pelo autor, todavia, desconexa e com conclusões desbaratadas em alguns capítulos.

Grosso modo, são aplicações do "protocitacionismo teológico" na pneumatologia do Antigo Testamento. "Protocitacionismo teológico" não é um conceito técnico amplamente utilizado na literatura acadêmica teológica. O termo deve ser entendido no contexto do "Protopentecoste". O neologismo foi criado para se referir ao excesso de citações teológicas de cunho "protopentecostais" utilizadas para fundamentar obras de teologia pentecostal.

O "protocitacionismo teológico" é chamado "proto" porque indica uma fase inicial, embrionária ou precursora, em que o teólogo, por não possuir domínio absoluto da temática, enche as páginas de citações protopentecostais extraídas da teologia de outros autores e não na Bíblia, fazendo com que esses fragmentos ou menções pré-pentecostais tornem-se evidências comprobatórias de uma "protoglossolalia" e de um "protopentecoste" na Antiga Aliança.

A multiplicidade de protocitações de cunho protopentecostal tornou o livro uma terra seca e árida. A sequidão é tanta que em diversas seções, citações são usadas para explicar outras citações. Tudo o que é dito pelo autor é quase uma transição homilética para outra protocitação. Ao bem da verdade, deve-se reconhecer o grande esforço de ABS na produção dessa obra acadêmica. Ao que parece, escrever somente com citações é uma prática inerente ao estilo do autor. O problema consiste em o autor silenciar-se muitas vezes, somente citando o que os outros já disseram.  

Respeitosamente, suplicamos a Deus que levante um profeta como Ezequiel para profetizar sobre esse vale de ossos secos chamado "Protopentecoste", para vir sobre ele o Espírito Santo. Pois, a obra, tal como está escrita, tem nervo e pele costurados pelo autor. É um grande construto teológico que ficou de pé articulado com milhares de citações, mas falta a vida do Espírito Santo.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

RUSSELL NORMAN CHAMPLIN: TEÓLOGO DA REENCARNAÇÃO


TESE DE DOUTORADO EM TEOLOGIA

A tese intitulada "Russell Norman Champlin: Teólogo da Reencarnação", escrita por Lúcio Mauro Lira de Lima, analisa em uma perspectiva heresiológica e apologética as ideias heterodoxas do teólogo norte-americano, radicado no Brasil e falecido em 2018, Russell Norman Champlin. O trabalho foi apresentado em janeiro de 2026, à University American Christian (Orlando, Flórida-EUA), do Grupo Educacional FATEB, como requisito parcial para a obtenção do grau de Doutor em Teologia.