A história de Pernambuco, e do Brasil, remonta ao ano de 1484, época em a Coroa
Portuguesa, por meio de suas navegações, tomou conhecimento da existência de riquezas
nestas terras litorâneas. Nesse sentido, consta que era conhecido o “termo indígena Parã-Nambuco” entre os navegadores que exploravam a costa pernambucana e fazia referência à
área geográfica onde posteriormente se fixou a então destacada capitania. Seu donatário
Duarte Coelho lhe deu o nome de “Nova Lusitânia”, contudo, prevaleceu “o termo
Pernambuco.”
A região dos arrecifes situada no litoral, onde “desembocam o rio Capibaribe e o rio
Beberibe”, era um local de manguezais ricos em espécies, que propiciavam praias tranquilas
e um “porto natural”, sendo chamado pelos indígenas de “Parã-Nambuco”. Na “língua Tupi-Guarani” significa literalmente “mar furado”, em razão da
“abertura nos arrecifes” dando origem ao nome do estado, o qual, em 1534, era grafado
“Parnãbuco”, ficando consolidada a “grafia” atual a “partir de 1540”.
Importante destacar que, ao se instalarem no litoral pernambucano, os colonizadores
portugueses tiveram que lidar com populações indígenas, muitas das quais eram qualificadas
de “selvagens e cruéis”, existindo, aproximadamente, “80 tribos indígenas”, distribuídas do
litoral ao sertão, quando da publicação do “primeiro estudo naturalista sobre a terra Brasil”,
datado de 1817.
Explicando o contexto histórico quando da chegada e fixação dos portugueses nas
terras litorâneas de Pernambuco, Barbosa (2003), faz os seguintes apontamentos:
No espaço indígena da capitania de Pernambuco estavam, portanto, territórios de
diferentes culturas nativas descendentes das culturas pré-históricas que se
desenvolveram nesta região. Neles organizavam-se populações étnicas diferentes
regidas por políticas de aproximação, de afastamento, e até de separação e
rivalidades. Nesta região, grupos e povos indígenas foram os agentes sociais,
econômicos e culturais do espaço indígena, existente antes da chegada dos
portugueses, e vítimas de uma política e de uma prática colonial portuguesa
destruidora de seus territórios, base da existência de seu espaço.
A língua predominante entre os nativos das terras litorâneas era o “Tupi-Guarani”,
comumente denominada “língua geral”, e dominar esse léxico específico poderia ser o
diferencial no contato com os indígenas, facilitando “o povoamento português e a
colonização”, garantindo, por vezes, a própria sobrevivência. Nesse sentido, os jesuítas
desempenharam importante papel, destacando-se o “padre José de Anchieta”, que após
conseguir uniformizar “vários dialetos” do “tronco linguístico Tupi-Guarani” deixou os
mesmos registrados numa “Gramática”.
Barbosa (2003) aponta que os principais povos indígenas encontrados nas
terras pernambucanas do litoral foram os Tabajaras e os Caetés, sendo os Potiguares e os
Tupinambás habitantes das “fronteiras do litoral Norte” e “do litoral Sul do rio São Francisco”, respectivamente. Os escritos da época aludem à extrema beligerância entre
tribos rivais, o que teria ajudado os colonizadores na subjugação desses povos.
Quanto à sobrevivência, os povos indígenas da região pernambucana praticavam a
pesca, caça, agricultura e “coleta de plantas e frutos comestíveis” extraídos diretamente da
pródiga natureza. Entre os principais cultivos dos povos indígenas
figuram a “mandioca”, o “feijão”, o “milho”, “amendoim”, “cabaças”, bem como “bananas
e cajus”.
Sintetizando, Barbosa (2003) diz que:
O espaço cultural e social indígena relativo à capitania de Pernambuco foi,
portanto, heterogêneo quanto aos grupos e povos nativos e às formas de uso dos
espaços, tanto na Pré-história como durante o período da conquista portuguesa.
Pesquisas pré-históricas apontam para diferentes culturas indígenas para o Litoral,
Agreste e Sertão da região que compunha a capitania de Pernambuco. Grupos
nativos agricultores, e os de não agricultores com uso de diferentes artefatos de
cerâmica, de pedra polida, de pedra lascada, com conhecimentos sobre a natureza,
com seus mitos e comportamentos, fizeram parte dessa região. (LIMA, R. D. P.; MELO, V. F. A gênese da sociedade pernambucana: a exclusão continuada de grupos populacionais subalternizados. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação. São Paulo, v. 10, n. 09, set. 2024).
EXERCÍCIO DE INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
1. Fundamentando-se no texto descreva como ocorreu a ocupação e conquista do território pernambucano no período da colonização.
2. Segundo Lima e Melo (2024) o que pode ser dito sobre a etimologia do nome "Pernambuco"? Explique.
3. Relacionando passado e presente analise a situação dos povos originários de Pernambuco destacando suas etnias, línguas e modo de vida.
4. Pesquise em pelo menos três sites diferentes e construa uma breve biografia do padre José de Anchieta relacionando-a com a questão indígena.