quarta-feira, 18 de março de 2026

PERNAMBUCO COLONIAL E SUA FORMAÇÃO

A história de Pernambuco, e do Brasil, remonta ao ano de 1484, época em a Coroa Portuguesa, por meio de suas navegações, tomou conhecimento da existência de riquezas nestas terras litorâneas. Nesse sentido, consta que era conhecido o “termo indígena Parã-Nambuco” entre os navegadores que exploravam a costa pernambucana e fazia referência à área geográfica onde posteriormente se fixou a então destacada capitania. Seu donatário Duarte Coelho lhe deu o nome de “Nova Lusitânia”, contudo, prevaleceu “o termo Pernambuco.”

A região dos arrecifes situada no litoral, onde “desembocam o rio Capibaribe e o rio Beberibe”, era um local de manguezais ricos em espécies, que propiciavam praias tranquilas e um “porto natural”, sendo chamado pelos indígenas de “Parã-Nambuco”. Na “língua Tupi-Guarani” significa literalmente “mar furado”, em razão da “abertura nos arrecifes” dando origem ao nome do estado, o qual, em 1534, era grafado “Parnãbuco”, ficando consolidada a “grafia” atual a “partir de 1540”.

Importante destacar que, ao se instalarem no litoral pernambucano, os colonizadores portugueses tiveram que lidar com populações indígenas, muitas das quais eram qualificadas de “selvagens e cruéis”, existindo, aproximadamente, “80 tribos indígenas”, distribuídas do litoral ao sertão, quando da publicação do “primeiro estudo naturalista sobre a terra Brasil”, datado de 1817.

Explicando o contexto histórico quando da chegada e fixação dos portugueses nas terras litorâneas de Pernambuco, Barbosa (2003), faz os seguintes apontamentos: No espaço indígena da capitania de Pernambuco estavam, portanto, territórios de diferentes culturas nativas descendentes das culturas pré-históricas que se desenvolveram nesta região. Neles organizavam-se populações étnicas diferentes regidas por políticas de aproximação, de afastamento, e até de separação e rivalidades. Nesta região, grupos e povos indígenas foram os agentes sociais, econômicos e culturais do espaço indígena, existente antes da chegada dos portugueses, e vítimas de uma política e de uma prática colonial portuguesa destruidora de seus territórios, base da existência de seu espaço. 

A língua predominante entre os nativos das terras litorâneas era o “Tupi-Guarani”, comumente denominada “língua geral”, e dominar esse léxico específico poderia ser o diferencial no contato com os indígenas, facilitando “o povoamento português e a colonização”, garantindo, por vezes, a própria sobrevivência. Nesse sentido, os jesuítas desempenharam importante papel, destacando-se o “padre José de Anchieta”, que após conseguir uniformizar “vários dialetos” do “tronco linguístico Tupi-Guarani” deixou os mesmos registrados numa “Gramática”.

Barbosa (2003) aponta que os principais povos indígenas encontrados nas terras pernambucanas do litoral foram os Tabajaras e os Caetés, sendo os Potiguares e os Tupinambás habitantes das “fronteiras do litoral Norte” e “do litoral Sul do rio São Francisco”, respectivamente. Os escritos da época aludem à extrema beligerância entre tribos rivais, o que teria ajudado os colonizadores na subjugação desses povos.

Quanto à sobrevivência, os povos indígenas da região pernambucana praticavam a pesca, caça, agricultura e “coleta de plantas e frutos comestíveis” extraídos diretamente da pródiga natureza. Entre os principais cultivos dos povos indígenas figuram a “mandioca”, o “feijão”, o “milho”, “amendoim”, “cabaças”, bem como “bananas e cajus”.

Sintetizando, Barbosa (2003) diz que: O espaço cultural e social indígena relativo à capitania de Pernambuco foi, portanto, heterogêneo quanto aos grupos e povos nativos e às formas de uso dos espaços, tanto na Pré-história como durante o período da conquista portuguesa. Pesquisas pré-históricas apontam para diferentes culturas indígenas para o Litoral, Agreste e Sertão da região que compunha a capitania de Pernambuco. Grupos nativos agricultores, e os de não agricultores com uso de diferentes artefatos de cerâmica, de pedra polida, de pedra lascada, com conhecimentos sobre a natureza, com seus mitos e comportamentos, fizeram parte dessa região. (LIMA, R. D. P.; MELO, V. F. A gênese da sociedade pernambucana: a exclusão continuada de grupos populacionais subalternizados. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação. São Paulo, v. 10, n. 09, set. 2024).

EXERCÍCIO DE INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

1. Fundamentando-se no texto descreva como ocorreu a ocupação e conquista do território pernambucano no período da colonização.

2. Segundo Lima e Melo (2024) o que pode ser dito sobre a etimologia do nome "Pernambuco"? Explique.

3. Relacionando passado e presente analise a situação dos povos originários de Pernambuco destacando suas etnias, línguas e modo de vida.

4. Pesquise em pelo menos três sites diferentes e construa uma breve biografia do padre José de Anchieta relacionando-a com  a questão indígena.

sexta-feira, 6 de março de 2026

REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA: 209 ANOS DE HISTÓRIA

O feriado da "Data Magna", do Estado de Pernambuco, que rememora a Revolução Pernambucana de 1817, foi comemorado na EREM Nossa Senhora da Penha, com a apresentação de vários trabalhos subordinados ao tema "Recife Revolucionário". Mas, o que foi a Revolução Pernambucana? Quais são as causas, ideais defendidos e desfecho? Por que celebrar um evento histórico ocorrido há 209? Baseando-se na historiografia didática, passemos à análise das questões. 

Segundo Arruda e Piletti (1997), a Revolução Pernambucana de 1817 pode ser definida como um movimento de emancipação política e republicanismo, inspirado em ideais de liberdade disseminados por toda a sociedade pernambucana. Na ocasião, presidia o Brasil o Príncipe Regente, Dom João VI. O movimento revolucionário de Pernambuco congregou populares, senhores de engenhos, intelectuais, militares e religiosos.

A presença de religiosos fez com que a tradição, alcunhasse o movimento revolucionário como "A Revolução dos Padres". De fato, a revolução contou com o apoio de 50 padres seculares e 5 frades. Esses eclesiásticos comungavam de valores liberais em vigor na Europa. Essas aspirações, foram disseminadas pelas sociedades secretas e pelo Seminário de Dom Azevedo Coutinho. Depois, ganharam as ruas. Guerra (1984) afiança ter sido o seminário o principal núcleo político que pugnava pela libertação da pátria, disseminação de ideias liberais em vigor na França e infiltração sutil do jacobinismo francês em solo pernambucano.

As causas do movimento revolucionário, conforme Dias e Pellegrini (2024), devem-se à insatisfação com o aumento de imposto e a queda da produção de açúcar e algodão na Província de Pernambuco. Cotrim (2007) preleciona que, quando da eclosão do evento, muitos pernambucanos estavam revoltados com o crescente aumento dos impostos, que serviam para sustentar o luxo da Corte Portuguesa instalada no Rio de Janeiro.

Além disso, para o mesmo autor, outros problemas afetavam os habitantes de Pernambuco: a grande seca de 1816 que provocou fome no Nordeste e prejuízos à agricultura; e a queda do preço do açúcar e do algodão no mercado internacional. Esses produtos não conseguiam competir com o açúcar antilhano e com o algodão norte-americano. Tudo isso, segundo Cotrim, serviu de combustível para explodir a revolução.

O movimento culminou na instalação de uma República. O governo republicano, inspirado nos princípios liberais, estabeleceu igualdade de direitos, liberdade de pensamento e de imprensa e a tolerância religiosa. Porém, esses direitos atendiam  somente às pessoas brancas. O governo não queria indispor-se com os senhores de engenho, por isso, a abolição da escravidão não estava nos planos dos revoltosos. Afirmavam que a libertação dos escravizados seria "lenta, gradual e legal".

A República de Pernambuco durou 75 dias. Depois, foi massacrada pelas forças imperiais. Para Cavalcanti (2013), o fracasso do movimento deveu-se ao excesso de idealismo de seus dirigentes, que passaram a tratar a sedição às claras, sem observar as regras próprias de movimento desse tipo; a dispensa de tropas que viriam do interior apoiar a luta, enfraquecendo o conjunto das forças revoltosas e a extinção de imposto num momento em que tornava-se essencial contar com mais recursos para financiar a luta e crescentes despesas.

Diante do exposto, celebrar um evento histórico ocorrido há 209 anos é mais do que homenagear os revolucionários. É um estudo necessário para conhecer a História de Pernambuco. A Revolução Pernambucana de 1817 trata-se de um evento de grande envergadura no cenário nacional, precedendo  o "7 de setembro de 1822". Por isso, a sua rememoração foi fixada na Lei Estadual 16.241/2017 e outras que precederam, em atendimento à Lei Federal 9.093/1995.

REFERÊNCIAS

ARRUDA,  J. J. A.; PILETTI, N. Toda a História: História Geral e História do Brasil. Sa0 Paulo-SP: Editora Ática, 1997.

CAVALCANTI, L. O. Pernambuco: Uma História Política. Recife-PE: Edições Bagaço, 2013.

COTRIM. G. História Global: Brasil e Geral. São Paulo-SP: Editora Saraiva, 2007.

DIAS, A. M.; PELLEGRINI, M. Do Seu Jeito: História. São Paulo-SP: Editora Ática, 2024. p. 288

GUERRA, F. História de Pernambuco. 3ª edição. Recife-PE: Editora Raiz, 1984.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

PROTOPENTECOSTE: AÇÕES DO PROTOCITACIONISMO TEOLÓGICO NA PNEUMATOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO

Os teólogos pentecostais têm aproximado seus escritos cada vez mais do mundo acadêmico. O prestígio do conhecimento científico produzido pela academia, por ser valorizado socialmente, vem despertando mentes perspicazes a romperem os obstáculos do senso comum e da produção teológica, anteriormente direcionada, quase que exclusivamente, para o consumo da membresia leiga. 

Todavia, não intencionando desqualificar ou repulsar ninguém, vale salientar que o esnobismo teológico no fazer teologia, coadjuvado por uma inteligência vigorosa, mas perdida num oceano de citações de autores, alguns deles até de correntes teológicas divergentes ao pentecostalismo clássico, pode até vislumbrar um "protopentecoste" no Antigo Testamento, mas jamais conseguirá dessa forma dar espírito e vida ao seu texto.

Data vênia, ver-se o teologismo e o excerto-ismo como uma postura que confere posição de exímio pesquisador. Uma postura muito acima do dogmatismo dos crentes ignorantes, sem rigor epistemológico ou gosto pelo estudo acadêmico. Essa práxis teológica incha e cega. Desse modo, o teólogo torna-se incapaz de ver os absurdos do seu "citacionismo", levando essa metodologia às últimas consequências. E, vendo-a, continua a deleitar-se em citações que abarrotam seu texto autocomplacente. 

Em meio aos autores que lemos para aprofundar a fé, ano passado, acabamos de deparar-nos com a figura de ABS, doutor em teologia livre pela University American Christian, do Grupo Educacional FATEB, idealizador do livro "Protopentecoste: ações do Espírito Santo no Antigo Testamento". O seu livro parece ajustar-se à várias características apresentadas acima. Tudo isso tornou a obra pesarosa, exigindo até dos mestres e doutores a "paciência de Jó".

O estilo do autor é extremamente prolixo. Essa prolixidade levou muitas vezes o teólogo a cair em divagações desnecessárias. São tantas as divagações e excertos que, a objetividade do texto ficou prejudicada. Ideias já tratadas são diversas vezes repetidas. Para efetuar uma simples citação, ABS vai do Recife à China, da China à África do Sul, fazendo um dossiê do referenciado.

Uma dissertação ou tese dessa natureza, nas mãos do ilustríssimo Burity, doutor, pesquisador, historiador, cientista político, coordenador de programa de mestrado em Ciências Sociais da Religião, cristão praticante, escritor, palestrante nacional e internacional, poliglota, casado, professor universitário (estou imitando ABS), certamente o Dr. Burity prelecionaria: "ABS, vá direto ao ponto, seu texto está abarrotado de citações, queremos ouvir você, fale o que você tem a dizer sobre protopentecoste".

No livro de 477 páginas, escuta-se muito pouco o que o autor tem a dizer sobre "Protopentecoste". Isso se deve, não à sua incapacidade, mas ao uso desmedido de uma "metralhadora teológica". São dezenas, centenas e milhares de citações metralhadas nas páginas do livro. Essa forma pseudo-strongniana de escrever teologia resultou em uma colcha de retalho textual, sem o fogo do Espírito Santo, costurada pelo autor. Assemelha-se a um mosaico e, diga-se, com conclusões desbaratadas em alguns capítulos.

Grosso modo, são aplicações do "protocitacionismo teológico" na pneumatologia do Antigo Testamento. "Protocitacionismo teológico" não é um conceito técnico amplamente utilizado na literatura acadêmica teológica. O termo deve ser entendido no contexto do "Protopentecoste". O neologismo foi criado para se referir ao excesso de citações teológicas de cunho "protopentecostais" utilizadas para fundamentar obras de teologia pentecostal.

O "protocitacionismo teológico" é chamado "proto" porque indica uma fase inicial, embrionária ou precursora, em que o teólogo, por não possuir domínio absoluto da temática, enche as páginas de citações protopentecostais extraídas da teologia de outros autores e não na Bíblia, fazendo com que esses fragmentos ou menções pré-pentecostais tornem-se evidências comprobatórias de uma "protoglossolalia" e de um "protopentecoste" na Antiga Aliança.

A multiplicidade de protocitações de cunho protopentecostal tornou o livro uma terra seca e árida. A sequidão é tanta que em diversas seções, citações são usadas para explicar outras citações. Tudo o que é dito pelo autor é quase uma transição homilética para outra protocitação. Ao bem da verdade, deve-se reconhecer o grande esforço de ABS na produção dessa obra acadêmica. Ao que parece, escrever somente com citações é uma prática inerente ao estilo do autor. O problema consiste em o autor silenciar-se muitas vezes, somente citando o que os outros já disseram.  

Respeitosamente, suplicamos a Deus que levante um profeta como Ezequiel para profetizar sobre esse vale de excertos chamado "Protopentecoste", para vir sobre ele o Espírito Santo. Pois, a obra, tal como está escrita, tem nervo e pele costurados pelo autor. É um grande construto teológico que ficou de pé articulado com milhares de citações, mas falta a vida do Espírito Santo.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

RUSSELL NORMAN CHAMPLIN: TEÓLOGO DA REENCARNAÇÃO


TESE DE DOUTORADO EM TEOLOGIA

A tese intitulada "Russell Norman Champlin: Teólogo da Reencarnação", escrita por Lúcio Mauro Lira de Lima, analisa em uma perspectiva heresiológica e apologética as ideias heterodoxas do teólogo norte-americano, radicado no Brasil e falecido em 2018, Russell Norman Champlin. O trabalho foi apresentado em janeiro de 2026, à University American Christian (Orlando, Flórida-EUA), do Grupo Educacional FATEB, como requisito parcial para a obtenção do grau de Doutor em Teologia.