Chegou Duarte Coelho em sua Capitania a 9 de março de 1535, conduzindo sua mulher, Dona Brites, um cunhado de nome Jerônimo de Albuquerque, e mais uma numerosa comitiva de muita gente nobre, boa linhagem, luzidia, para povoar a terra.
Os quase vinte anos de administração de Duarte Coelho foram dos mais difíceis, tendo constantemente enfrentado os indígenas e conquistado, palmo a palmo, as terras doadas, além de haver permanecido em contínua preocupação contra os piratas franceses e contra os aventureiros lusos, acrescidos da escória de degredados do Reino.
Mas, assim mesmo, a verdadeira colonização de Pernambuco foi feita com gente da melhor espécie, gente nobre, de posição, porque "o excedente da prostituição que não apodrecera e o pior da criminalidade que escapou à forca, mais ou menos regularmente remetidas da metrópole, para ajudar na formação da colônia", não havia conseguido influenciar, graças aos cuidados extremos do donatário, que conseguira restringir o melhor que pôde a sua penetração perigosa na sociedade em esboço.
O pau-brasil continuava a ser a principal fonte de renda, embora os colonos houvessem começado a cultivar lavouras de mantimento e, principalmente, a "saccharum officinarum", que proporcionava o auspicioso início da agroindústria açucareira, quando o açúcar começava a repontar no mundo inteiro com entusiasmo.
Mas Duarte Coelho morrera em Lisboa. Ele, que fora o fundador de Pernambuco, se finara pobre, endividado e ralado de desgostos. Somente depois do seu passamento foi que se processou definitivamente o afastamento dos índios tabajaras da extensa área da Várzea do Capibaribe, onde viria a crescer de importância, dentro de poucos anos, a agroindústria canavieira, que começou a carrear até os princípios do século XVII, para Pernambuco, a fama de ser a mais rica e opulenta colônia de Portugal, no Novo Mundo.
Deve-se, assim, aos esforços de Duarte Coelho, dominando os índios e organizando a administração da sua capitania, a possibilidade do grande terreno que sáfaro recebeu o surto de progresso, dominando totalmente a região dos fins do século XVI até meados do seguinte. (GUERRA, F. História de Pernambuco. 3ª edição. Recife-PE: Editora Raiz, 1984. pp. 22-25).
EXERCÍCIO DO IFA - HISTÓRIA DE PERNAMBUCO
1. No texto, com que sentido Guerra
(1984) utiliza as expressões “a verdadeira colonização de Pernambuco” e
“sociedade em esboço”?
2. Pesquise e determine o significado
do termo latino "saccharum officinarum".
3. Fundamentando-se no texto, disserte
sobre a implantação da economia açucareira na Capitania de Pernambuco.
4. No primeiro parágrafo do texto, com
que sentido o autor utiliza a palavra “luzidia”?
5. Fundamentando-se no texto,
identifique e descreva os obstáculos enfrentados por Duarte Coelho na
colonização da Capitania de Pernambuco.
6. NO HINO DE GAMELEIRA CONSTA A EXPRESSÃO "ENTRE OS CANAVIAIS SURGES COM VIDA". ISSO ASSINALA A IMPORTÂNCIA DA CANA-DE-AÇÚCAR NO SURGIMENTO DA CIDADE. NA SUA OPINIÃO, QUAIS OS PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DA MONOCULTURA DA CANA-DE-AÇÚCAR NA ECONOMIA LOCAL? COMENTE.