sábado, 13 de maio de 2023

 ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA DAS CIDADES-ESTADO GREGAS

 

A cidade de Atenas era uma importante pólis da Grécia, e atualmente temos um conhecimento considerável sobre ela pelo fato de que nos legou uma grande diversidade de documentos escritos.  É importante lembramo-nos de que a Grécia organizava-se em diversas pólis, sendo cada uma delas autônoma em relação à outra. Essa forma de organização fez com que, ao longo do tempo, cada cidade grega desenvolvesse uma forma própria de governo.

Foi durante a gestão de Clístenes como legislador em Atenas que uma série de reformas foi realizada em 514 a.C. As reformas de Clístenes são consideradas as responsáveis pelo nascimento da democracia enquanto sistema que amplia a participação popular dentro da política. No entanto, atenção, o conceito de cidadania em Atenas difere bastante do modelo democrático atual.

Com as reformas de Clístenes, a organização social em Atenas ficou da seguinte maneira: 1) Cidadãos: grupo de pessoas nascidas em Atenas e de pais atenienses. Tinham direitos políticos e direito à propriedade. 2) Metecos: nascidos em outras cidades e considerados estrangeiros por isso. Eram bem aceitos na sociedade ateniense, mas não tinham direito à cidadania. Eram obrigados a pagar um imposto anual para Atenas por residir nela. 3) Escravos: geralmente eram prisioneiros de guerra. Não tinham posses, nem direitos políticos.

Por outro lado, Esparta possuía um modelo de polis grega diferente de Atenas. A organização política de Esparta e Atenas era bastante discrepante. Em Esparta o governo era uma Monarquia regida por dois reis, denominada de Diarquia. Os reis espartanos faziam parte de duas famílias abastardas. 

A estrutura social espartana estava dividida em espartanos ou esparciatas (aristocratas herdeiros dos dórios que estavam na cúpula); os periecos (habitantes antigos da região da Lacônia que geralmente exerciam funções como o artesanato e o comércio); e os hilotas (escravos que serviam aos esparciatas geralmente no cultivo do solo e na criação de animais, mas não gozavam de nenhum direito político).

A principal característica da sociedade espartana era a exaltação dos valores militares. Por isso, havia intensivo treinamento físico dos jovens, a fim de prepará-los para as guerras.  Nas escolas, o ensino da escrita estava voltado apenas para o necessário. O mais importante da instrução era a formação de soldados valentes e fortes. Exigia-se boa saúde e destemor para lutar nas guerras e garantir vitórias contra dos inimigos.

Outro detalhe importante da sociedade espartana era o tratamento dado às mulheres. Desde a infância, as mulheres espartanas recebiam rigorosos treinamentos psicológicos e exercícios físicos militares. Além disso, podiam exercer práticas como ginástica e jogos coletivos, bem como comparecer em reuniões públicas com seus companheiros, ao contrário do que ocorria em outras cidades-estado, como Atenas, que cerceava a liberdade de suas mulheres.

segunda-feira, 1 de maio de 2023

DIA DO TRABALHADOR: DAS ORIGENS À POLÍTICA TRABALHISTA DE VARGAS

 

    O “dia do trabalhador”, no Brasil, remonta ao final do século XIX. Nessa época, militantes socialistas, de forma incipiente, promoveram as primeiras manifestações trabalhistas. Inicialmente, eram manifestações realizadas como atos de apoio à República. Para Bilhão (2011) “as manifestações mesclavam caráter festivo e de protestos [...] e, não raras vezes, tornavam-se também atos patrióticos”, em apoio à fundação da República dos Estados Unidos do Brasil.
    Na década de 1910, as manifestações trabalhistas vão ganhar outra conotação. Os atos públicos passam a ter caráter mais ideológico. Os movimentos operários surgem influenciados por ideais comunistas, anarcossindicalistas, da luta de classes e da conquista de diretos. Desse período, destacamos “A Greve de 1917”, ocorrida em São Paulo. As ideologias são basicamente importadas através da imigração europeia.
    Essa informação pode ser confirmada em Piletti (1996) que, historiando a gênese do movimento operário no Brasil, escreveu que, o movimento, refletia "em grande parte o que acontecia na Europa". Segundo Piletti (1996) foi "o imigrante europeu que, vindo trabalhar como assalariado rural e urbano em nosso país, divulgou as ideias de organização operária e liderou, num primeiro momento, a luta dos trabalhadores".
    Durante o Estado Novo, Getúlio Vargas promove um projeto político de aproximação do Governo com o proletariado. O trabalhismo, como ficou conhecido, foi marcado pela concessão de direitos aos trabalhadores brasileiros, como, por exemplo, a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O cidadão é o trabalhador que possuía um emprego formal e que estava de pleno acordo e prática com a política trabalhista de Vargas.
    Os opositores da política trabalhista de Getúlio Vargas eram severamente perseguidos. Aos “sindicatos pelegos” permitia-se o seu funcionamento em simetria com a cartilha governamental.  Contudo, devido ao caráter autoritário do Estado Novo, sindicatos comunistas sofriam perseguições e censuras. O “dia 1.º de maio” estava reservado para a divulgação das benesses do Estado e para a promoção do patriotismo e do civismo. Protestos eram duramente reprimidos.
    No entendimento de Fausto (2019), isso ocorria porque, de acordo com a legislação da época, o sindicado "foi definido como órgão consultivo e de colaboração com o poder público". Afirma este autor que a "legalidade de um sindicato dependia do reconhecimento ministerial, e este poderia ser cassado quando se verificasse o não cumprimento de uma série de normas".
    Diante do exposto, percebe-se que as comemorações do dia trabalhador sofreram uma evolução com o passar do tempo. No Brasil, atualmente é um feriado nacional. Todavia, para além de um feriado, deveria ser um momento de programação da classe trabalhadora para reivindicação de direito, para a promoção de atos públicos em defesa de melhores condições de trabalho e renda e para a defesa do emprego. Não um dia de “pão e circo” para ludibriar o público.

REFERÊNCIAS

BILHÃO, Isabel. “Trabalhadores do Brasil!”: As Comemorações do Primeiro de Maio em Tempos de Estado Novo Varguista. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 31, nº 62, p. 71-92 – 2011.


FAUSTO, Boris. História do Brasil. 14ª edição atualizada e ampliada. São Paulo: Edusp, 2019.

PILETTI, Nelson. História do Brasil. 14ª edição reformulada e ampliada. São Paulo: Editora Ática, 1996.

sábado, 22 de abril de 2023

 BRASIL: 523 ANOS

 

O Brasil completa, hoje, 523 anos de "descobrimento". O marco histórico "22 de abril de 1500" (data da chegada da frota portuguesa ao território brasileiro), deve ser entendido no contexto mais amplo, isto é, das tentativas europeias de colonizar a América. Mas, afinal, essa chegada foi uma descoberta ou um redescobrimento? É o que tentaremos responder neste texto. 

A ocupação do território brasileiro é antiquíssima. Dessa perspectiva, os portugueses de 1500, não possuem nenhum pioneirismo. O Brasil já havia sido colonizado há milênios. As datas da primitiva ocupação são contraditórias. Para Franco (2006) variam entre “15.000 anos antes de Jesus Cristo” e “trinta e dois mil anos de antiguidade”, conforme “restos de fogueiras” encontradas no sítio arqueológico de “Pedra Furada”.

Os historiadores europeus, preferem, atualmente, falar de “redescobrimento”. No entendimento de Fernández (2016), “descobrimento” é “uma expressão bastante eurocêntrica”. Por isso, inicia os estudos sobre a chegada dos europeus no continente americano com a pergunta: “Por que se descobriu de novo a América no século XV?” Resposta: “somente no final do século XV a Europa e os europeus estavam preparados para embarcar em uma relação que, até aquele instante, superava em muito suas possibilidades, suas necessidades e desejos.”

Esses desejos, de acordo com Bustamente (1939), foram realizados na fase mercantilista europeia. Essa fase da economia do Velho Continente, contribuiu para que o "Atlântico e os países situados em sua costa", por exemplo, Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Países Baixos, se  beneficiasse da exploração fundando "grandes impérios coloniais nas ricas terras descobertas".  

Diante do exposto, ficam evidentes que “descobrimento” e “redescobrimento” são categorias eurocêntricas para pensar a América. Nesse ponto, é a história construída na visão do dominador. Para o colonizado, o que ocorreu foi uma invasão, uma ocupação forçada e armada, acompanhada por muitas atrocidades perpetradas pelos europeus contra os povos indígenas e contra os africanos escravizados.

REFERÊNCIAS

BUSTAMENTE, Ciriaco Pérez. Compendio de Historia Universal. Cuarta Edicion. Madrid: Ediciones Españolas, 1939.

FERNÁNDEZ, Luis E. Íñigo. La Historia Universal en 100 Preguntas. Madrid: Ediciones Nowtilus, 2016.

FRANCO, Luigi. El Principio de la Civilización: de la aparición del hombre a las civilizaciones fluviales. Barcelona: Ediciones Folio, 2006.

 

terça-feira, 15 de novembro de 2022

A REPÚBLICA DO BRASIL: 133 ANOS DE PROCLAMAÇÃO


Prof. Lucio Mauro Lira de Lima

    Hoje, comemoramos 133 anos de proclamação da República brasileira. Isso remete-nos ao dia 15 de novembro de 1889. Nesse dia, o Império do Brasil foi substituído pelo sistema republicano. E, sob a liderança do Marechal Manoel Deodoro da Fonseca, proclamada a República Federativa dos Estados Unidos do Brasil. 

    Em primeiro lugar, o dia 15 de novembro de 1889, nada teve de especial. Não ocorreu tiros. Não houve revolução. O povo não saiu às ruas do Rio de Janeiro (capital do país) para depor o Imperador. A população não invadiu o Palácio da Guanabara para instalar o novo sistema de governo. O dia 15 de novembro foi obra dos militares e das elites brasileiras, insatisfeitas com a administração política e econômica retrógrada da monarquia. 

    Em segundo lugar, as elites dirigentes pouco fizeram pelos cidadãos excluídos da República. Para ser preciso, os excluídos não eram cidadãos. Os "cidadãos excluídos", dentre eles, mulheres, analfabetos e afrodescendentes, não possuíam direitos políticos. Nascia, em 1889, a República Velha, a República das Espadas, a política do café com leite e a desgraçada prática do voto de cabresto. 

    Portanto, esta é a verdade dos fatos. A proclamação da República foi uma manobra política. Uma alternância de poder. Um império que vai. Uma república que vem. Contudo, aquiescemos, o dia 15 de novembro de 1889, dá início a uma nova etapa da história do Brasil. Como podemos notar, marcada por muitas contradições.




terça-feira, 1 de novembro de 2022

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS EM GAMELEIRA-PE: O QUE OS NÚMEROS NOS REVELAM?


Prof. Lúcio Mauro Lira de Lima
Mestre em Sociologia

Não queremos entrar no mérito das discussões sobre a direita e a esquerda brasileira em torno da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Até aqui, a literatura política está polarizada. Para os direitistas, Lula é um ladrão que deveria está preso por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Para os esquerdistas, Lula é inocente. Nunca cometeu crime algum. A sua prisão foi arbitrária. Uma manobra política para tirá-lo do jogo eleitoral de 2018. 

Esses foram os discursos políticos construídos e disseminados nos últimos anos pelos ideólogos e propagandistas do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Liberal (PL). Em face da disseminação massiva, esses discursos chegaram ao município de Gameleira e, em outras cidades pernambucanas. Contudo, a máquina de propaganda do candidato do Partido Liberal, apesar de ter contribuído para acrescer alguns votos à chapa perdedora, não foi suficiente para impor derrota ao candidato petista. Dito isso, vamos aos números.

Em Gameleira, comparando os resultados eleitorais de 2018 com os de 2022, o Lulismo é a preferência política predominante. No 2º turno das eleições presidenciais de 2018, Fernando Haddad (PT), obteve 72,75% (7686 votos). Jair Bolsonaro (PSL), 27,25% (2879 votos). Nas eleições 2022 (2º turno), os percentuais sofreram uma leve alteração, mas, sem impacto significativo quando observamos o quantitativo de votos válidos do candidato petista: Lula (PT) obteve 7.613 votos (69,26%). Jair Bolsonaro (PL), 30,74% (3379 votos).

Em síntese, o aumento de votos de Bolsonaro de 2879, em 2018, para 3379, em 2022, não significa, necessariamente, explosão do capital político do Bolsonarismo em Gameleira. De fato, ocorreu um crescimento de 3,45%  dos votos. Mas, os votos do candidato petista ficaram estáveis, apesar, de uma insignificante diminuição de 3,40% (73 votos a menos) em relação a 2018. Essa votação, inferimos, poderia ser mais expressiva, caso não tivessem ocorrido 3513 abstenções no 2º turno e considerando-se a identificação dos gameleirenses (nordestinos) com a agenda política dos, agora, "petistas-peessedebistas".

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Livro sobre a história da Assembleia de Deus em Gameleira-PE

Assembleia de Deus em Gameleira: Rumo aos 100 anos de história. Livro inédito. Fruto de 9 anos e 6 meses de pesquisa. Narra a história da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, localizada no município de Gameleira, Zona da Mata Sul de Pernambuco. Uma obra que vale a pena ser lida e divulgada.