sábado, 22 de abril de 2023

 BRASIL: 523 ANOS

 

O Brasil completa, hoje, 523 anos de "descobrimento". O marco histórico "22 de abril de 1500" (data da chegada da frota portuguesa ao território brasileiro), deve ser entendido no contexto mais amplo, isto é, das tentativas europeias de colonizar a América. Mas, afinal, essa chegada foi uma descoberta ou um redescobrimento? É o que tentaremos responder neste texto. 

A ocupação do território brasileiro é antiquíssima. Dessa perspectiva, os portugueses de 1500, não possuem nenhum pioneirismo. O Brasil já havia sido colonizado há milênios. As datas da primitiva ocupação são contraditórias. Para Franco (2006) variam entre “15.000 anos antes de Jesus Cristo” e “trinta e dois mil anos de antiguidade”, conforme “restos de fogueiras” encontradas no sítio arqueológico de “Pedra Furada”.

Os historiadores europeus, preferem, atualmente, falar de “redescobrimento”. No entendimento de Fernández (2016), “descobrimento” é “uma expressão bastante eurocêntrica”. Por isso, inicia os estudos sobre a chegada dos europeus no continente americano com a pergunta: “Por que se descobriu de novo a América no século XV?” Resposta: “somente no final do século XV a Europa e os europeus estavam preparados para embarcar em uma relação que, até aquele instante, superava em muito suas possibilidades, suas necessidades e desejos.”

Esses desejos, de acordo com Bustamente (1939), foram realizados na fase mercantilista europeia. Essa fase da economia do Velho Continente, contribuiu para que o "Atlântico e os países situados em sua costa", por exemplo, Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Países Baixos, se  beneficiasse da exploração fundando "grandes impérios coloniais nas ricas terras descobertas".  

Diante do exposto, ficam evidentes que “descobrimento” e “redescobrimento” são categorias eurocêntricas para pensar a América. Nesse ponto, é a história construída na visão do dominador. Para o colonizado, o que ocorreu foi uma invasão, uma ocupação forçada e armada, acompanhada por muitas atrocidades perpetradas pelos europeus contra os povos indígenas e contra os africanos escravizados.

REFERÊNCIAS

BUSTAMENTE, Ciriaco Pérez. Compendio de Historia Universal. Cuarta Edicion. Madrid: Ediciones Españolas, 1939.

FERNÁNDEZ, Luis E. Íñigo. La Historia Universal en 100 Preguntas. Madrid: Ediciones Nowtilus, 2016.

FRANCO, Luigi. El Principio de la Civilización: de la aparición del hombre a las civilizaciones fluviales. Barcelona: Ediciones Folio, 2006.

 

terça-feira, 15 de novembro de 2022

A REPÚBLICA DO BRASIL: 133 ANOS DE PROCLAMAÇÃO


Prof. Lucio Mauro Lira de Lima

    Hoje, comemoramos 133 anos de proclamação da República brasileira. Isso remete-nos ao dia 15 de novembro de 1889. Nesse dia, o Império do Brasil foi substituído pelo sistema republicano. E, sob a liderança do Marechal Manoel Deodoro da Fonseca, proclamada a República Federativa dos Estados Unidos do Brasil. 

    Em primeiro lugar, o dia 15 de novembro de 1889, nada teve de especial. Não ocorreu tiros. Não houve revolução. O povo não saiu às ruas do Rio de Janeiro (capital do país) para depor o Imperador. A população não invadiu o Palácio da Guanabara para instalar o novo sistema de governo. O dia 15 de novembro foi obra dos militares e das elites brasileiras, insatisfeitas com a administração política e econômica retrógrada da monarquia. 

    Em segundo lugar, as elites dirigentes pouco fizeram pelos cidadãos excluídos da República. Para ser preciso, os excluídos não eram cidadãos. Os "cidadãos excluídos", dentre eles, mulheres, analfabetos e afrodescendentes, não possuíam direitos políticos. Nascia, em 1889, a República Velha, a República das Espadas, a política do café com leite e a desgraçada prática do voto de cabresto. 

    Portanto, esta é a verdade dos fatos. A proclamação da República foi uma manobra política. Uma alternância de poder. Um império que vai. Uma república que vem. Contudo, aquiescemos, o dia 15 de novembro de 1889, dá início a uma nova etapa da história do Brasil. Como podemos notar, marcada por muitas contradições.




terça-feira, 1 de novembro de 2022

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS EM GAMELEIRA-PE: O QUE OS NÚMEROS NOS REVELAM?


Prof. Lúcio Mauro Lira de Lima
Mestre em Sociologia

Não queremos entrar no mérito das discussões sobre a direita e a esquerda brasileira em torno da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Até aqui, a literatura política está polarizada. Para os direitistas, Lula é um ladrão que deveria está preso por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Para os esquerdistas, Lula é inocente. Nunca cometeu crime algum. A sua prisão foi arbitrária. Uma manobra política para tirá-lo do jogo eleitoral de 2018. 

Esses foram os discursos políticos construídos e disseminados nos últimos anos pelos ideólogos e propagandistas do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Liberal (PL). Em face da disseminação massiva, esses discursos chegaram ao município de Gameleira e, em outras cidades pernambucanas. Contudo, a máquina de propaganda do candidato do Partido Liberal, apesar de ter contribuído para acrescer alguns votos à chapa perdedora, não foi suficiente para impor derrota ao candidato petista. Dito isso, vamos aos números.

Em Gameleira, comparando os resultados eleitorais de 2018 com os de 2022, o Lulismo é a preferência política predominante. No 2º turno das eleições presidenciais de 2018, Fernando Haddad (PT), obteve 72,75% (7686 votos). Jair Bolsonaro (PSL), 27,25% (2879 votos). Nas eleições 2022 (2º turno), os percentuais sofreram uma leve alteração, mas, sem impacto significativo quando observamos o quantitativo de votos válidos do candidato petista: Lula (PT) obteve 7.613 votos (69,26%). Jair Bolsonaro (PL), 30,74% (3379 votos).

Em síntese, o aumento de votos de Bolsonaro de 2879, em 2018, para 3379, em 2022, não significa, necessariamente, explosão do capital político do Bolsonarismo em Gameleira. De fato, ocorreu um crescimento de 3,45%  dos votos. Mas, os votos do candidato petista ficaram estáveis, apesar, de uma insignificante diminuição de 3,40% (73 votos a menos) em relação a 2018. Essa votação, inferimos, poderia ser mais expressiva, caso não tivessem ocorrido 3513 abstenções no 2º turno e considerando-se a identificação dos gameleirenses (nordestinos) com a agenda política dos, agora, "petistas-peessedebistas".

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Livro sobre a história da Assembleia de Deus em Gameleira-PE

Assembleia de Deus em Gameleira: Rumo aos 100 anos de história. Livro inédito. Fruto de 9 anos e 6 meses de pesquisa. Narra a história da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, localizada no município de Gameleira, Zona da Mata Sul de Pernambuco. Uma obra que vale a pena ser lida e divulgada.



quinta-feira, 28 de julho de 2022

Livro "História de Gameleira: Do Engenho de Açúcar à Fundação da Cidade"

HISTÓRIA DE GAMELEIRA

Preço de custo: R$ 30,00

Livro inédito sobre a história do município de Gameleira, fruto de mais de 11 anos de pesquisas. Uma obra que merece ser lida e divulgada por todos os gameleirenses.